Esta madrugada decidi escrever-te. Não me perguntes como nem porquê. Peço-te apenas que leias e que sintas cada palavra como se fosse mais uma pequena porção de ar que inalas. Decidi comprar roupa nova, o teu cheiro insistia a todo custo em permanecer naquela que em tempos usei. Recusei-me a chorar todas as vezes em que passava na rádio as palavras tão amargas daquela música que um dia chegou a ser nossa. I won't give up on us, even if the skies get rough. Voltei a rir-me das coisas mais banais da vida, finalmente entendi que essas é que valem realmente a pena. Mudei de cidade, de casa e quase que cheguei a adquirir uma nova personalidade. Faltou o quase. Não desisti de mim, nem de ti, muito menos de nós. Fizeste parte das minhas mudanças. Hoje mais de três horas de estrada nos separam. Nelas mal cabem os abraços todos que te poderia dar. Hoje cresci e sou o oposto de quem conheceste no passado. Parece-me que contigo aconteceu o mesmo. Beija-me se isto não passar de um mero equívoco. Espera... Guarda esse beijo para outra altura. Hoje faço mais por mim do que por quem me rodeia. Mentira. Essa minha caraterística, por mais péssima que seja em certos casos, jamais se apagará de mim. A distância afasta-nos, mas o comboio traz-me sempre de volta a ti.
Sorrisos espontâneos.
Livres, soltos e sinceros.
segunda-feira, 30 de novembro de 2015
terça-feira, 18 de agosto de 2015
Imortalidade do sentimento
Esbarrei-me contigo no outro dia. A minha mãe sempre teve razão. Não posso fugir do meu passado nem de quem fez parte dele e tu, meu caro, foste o pior final desse mesmo. Permite-me que ainda dê uso a esse sentimento que há muito murchou, a amizade. Aliás, a nossa amizade.
Observo-te de surra, apercebo-me que continuas o mesmo indivíduo cabisbaixo de sempre, como quem receia enfrentar os desafios da vida olhando-os de frente. Tens plena noção que nunca tive problemas com isso. Sempre consegui, por vontade própria, levantar-me depois de uma queda e seguir em frente como se nunca tivesse caído nem esfolado os joelhos, apesar de as cicatrizes transparecerem uma realidade completamente diferente. Aprendo tanto a cada tombo. Era uma das coisas que dizias admirar em mim, talvez seja por isso que me quiseste pôr à prova. Soube ser dona de mim e venci-te. Ninguém me consegue derrubar, nem mesmo tu.
Não vale a pena continuares a tentar vencer o jogo depois de ter dado game over vezes sem conta.
Tira as mãos dos bolsos, rapaz. Vive a vida. Anda lá. Deixa-te de merdas. Usaste durante anos a fio a porcaria da mesma máscara, não achas que já está na hora de a trocares?
Torna-te Homem, quanto a isso nenhum ser humano nasce formado.
Conseguiste fazer aquilo que eu jamais teria tido a coragem: apaixonaste-te de novo (ou pela primeira vez). Diz-me como. Na verdade não quero saber nem tão pouco desejar-te as maiores felicidades. Estaria a mentir-te se dissesse que fico eufórica todas as vezes que fazes questão de o relembrar. Detalhas esse novo sentimento com uma certeza de tudo, acho que te esqueceste que o amor não se explica e mal se consegue escrever acerca dele. Ninguém sabe como é, o que é, não vem com manual de instruções para sabermos lidar com ele. Sente-se e ponto final. Em contrapartida, mentiria também se te contasse que moveria montanhas para te voltar a ter nos meus braços.
Aprendi a viver por e para mim.
Desde já agradeço-te por me teres mostrado o lado podre daquilo que és. Para te ser sincera tenho imensos obrigadas a enunciar. O primeiro é por me teres deixado ir. Desde esse dia que não parei de pensar em ti, no quanto acreditei nas tuas palavras, naquilo que nos unia. Tomaste a iniciativa que nunca eu teria tido: puseste fim a todas estas mentiras. O segundo é pelos momentos de felicidade que só eu tive e senti, uma vez que esse sentimento nunca em ti consegui despertar.
Todos os outros obrigadas são por me teres dado a oportunidade de me amar ainda mais, ao que me rodeia e àquilo que me tornei.
Para terminar: não guardo rancor, só não esqueço nada. Apercebi-me que estavas certo quando me dizias "Tu até me podes desculpar, mas sei que não esqueces", ao que parece desta vez não houve desculpa algum que me fizesse voltar a ver-te como nos dias em que eras o meu depósito de sorrisos, mas não esqueci.
Sei que te amei à minha maneira, em demasia até, tornando impossível não te odiar.
Ela poderá amar-te onde, quando e como tu quiseres. Já me substituiu, só no rótulo, como sendo a outra. E acredita que isso não é bonito de se ver nem ouvir.
Amar com o corpo não serve de nada quando não se ama com o coração. Nunca te esqueças disso.
PS: Deste-me vontade de sair por aí e encontrar-me. O amor de outro alguém chegará, até lá serei feliz da melhor maneira que conseguir. Farei por isso. Tentarei todos os dias encontrar um novo significado digno da palavra felicidade. Obrigada pela lição.
domingo, 12 de julho de 2015
Prometo não falhar.
sábado, 23 de maio de 2015
Sossega-me.
"Tomás, acorda, por favor. A minha rotina gira à tua volta. Os pais discutem, acordo-te. Tenho fome, vens comigo à cozinha. Choro e estás sempre lá para me abraçar. Preciso de ti indepentemente da situação em que me encontre. Esta noite não consigo adormecer de todo. Ouvi a mãe dizer que está farta de fingir que está tudo bem quando na realidade não está. Achas que a culpa é minha? O pai sai cedo de manhã e quando volta nunca tem tempo para brincar comigo, ele diz que precisa de recarregar energias para o dia seguinte, mas acaba sempre por trancar-se no escritório durante horas. Então e eu, Tomás? Os pais dizem que tu não existes e que eu sou tolo por criar pessoas na minha cabeça... É mentira! Diz-me que é mentira! Talvez só digam isso porque não te conhecem, um dia irei provar o contrário. Tu és o único que estás sempre presente. O que achas do céu esta noite? Não se vê nenhuma estrela da janela do meu quarto. Será um sinal? Mas de quê? Não sei bem. Continuo a ouvir o pai a gritar com a mãe. Tenho medo. Eles vão deixar-me? De certeza que sim... A vida deles antes de eu aparecer era muito melhor. No outro dia perguntei à mãe se ela e o pai iam separar-se como aconteceu com os pais da Catarina... "As pessoas deixam de gostar umas das outras", disse-me ela. Ao fim ao cabo não respondeu à minha pergunta, mas sabes? O que ela disse não é verdade. Podemos pensar ter deixado de gostar da pessoa e, depois de um tempo, apercebomo-nos que não conseguimos viver sem ela ao nosso lado. Lembras-te do dia em que eu quis deitar fora o robô que o pai me deu nos anos? Eu achava que já não gostava dele por ele ter ficado deformado depois de ter caído da cama, só que não o fiz porque podia brincar com ele à mesma e assim o pai não ficaria triste. Porque é que os pais não fazem o mesmo? Porque é que eles não percebem que não podem ter deixado de gostar um do outro? Eles costumavam ser tão felizes... O que é que mudou? Talvez por eu ter aparecido... Tomás, eu não quero que os pais me deixem. Eu não quero ter de passar pelo que a Catarina passa. Ela diz que às vezes prefere ficar sozinha porque os pais discutem os dias em que cada um fica com ela. Estou cansado. Acho que vou adormecer. Acorda-me quando os pais pararem de discutir. Tomás, acorda-me quando tudo acabar."
quinta-feira, 21 de maio de 2015
Perco-me em ti.
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