domingo, 12 de julho de 2015

Prometo não falhar.

"Acordei no meio da imensidão daquela praia. Sentei-me. Olhei para tudo o que era sítio e não avistei nenhuma alma tão perdida quanto a minha. O ecoar dos meus pensamentos em cada canto do meu ser insistiam em transparecer. Lágrimas percorriam o meu rosto, sentia-me aliviado por deixá-las cair depois de tanto as ter segurado. Enchi os pulmões com uma enorme porção de ar e, em segundo e meio, expulsei-o de uma só vez. Perdi-me nas ruelas enquanto observava atentamente cada indivíduo que por elas também passava. Todos eles apresentavam caraterísticas diferentes. Uns quase que rasgavam as bochechas de tanto sorrirem, outros mantiveram-se cabisbaixos do princípio ao fim da minha observação. É engraçado como hoje em dia muitas pessoas limitam-se ao que as rodeia, fecham-se em sete copas e não se abrem a ninguém. A culpa disso é minha, tua, nossa. Tudo o que acontece baseia-se em nós. Deparei-me com casais jovens e idosos. O meu triste coração despedaçado encheu-se de orgulho. Não sou invejoso nem tão pouco rancoroso. A alegria dos outros é também minha. Ainda não tomei a iniciativa de virar as costas ao que não volta. O meu cérebro ainda está a processar toda a informação que captou até chegar aqui. Sinto uma paz de espírito desproporcional cada vez que te observo, ó Mar! Quero voltar a ser quem ainda não fui. Quero voltar a perceber o que ainda não percebi. Quero recomeçar uma vida que ainda não comecei. Quero voltar a ser feliz como nunca antes fui. Quero voltar a amar o que e quem ainda não amei. Quero voltar ao zero sem apagar nada da minha memória. Quero conseguir levantar-me daqui, dobrar a toalha, fechar o guarda-sol, olhar uma última vez o mar, sentir o vento despedir-se de mim como quem me abraça sem sequer me tocar, virar as costas e dizer adeus a quem fui, ao que senti, a quem perdoei e não merecia, a quem amei e não valorizou, a quem perdi sem nunca ter tido. Quero deixar tudo para trás e ser um homem novo. Sou um sortudo, sabes? Tenho a sensação que a vida me deu mais uma oportunidade e eu pretendo agarrá-la com as duas mãos para me certificar que ela não me escapa. Voltarei quando souber tomar conta de mim. Prometo não falhar com a minha palavra. Até lá, levo esta maresia comigo para mais tarde recordar. Sentir-te-ei mais próximo de mim. Com tantos furacões dentro de mim, tu, mar calmo, não me aguentas."

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