segunda-feira, 30 de novembro de 2015

Saudade é o ar que vou sugando e aceitando.

Esta madrugada decidi escrever-te. Não me perguntes como nem porquê. Peço-te apenas que leias e que sintas cada palavra como se fosse mais uma pequena porção de ar que inalas. Decidi comprar roupa nova, o teu cheiro insistia a todo custo em permanecer naquela que em tempos usei. Recusei-me a chorar todas as vezes em que passava na rádio as palavras tão amargas daquela música que um dia chegou a ser nossa. I won't give up on us, even if the skies get rough. Voltei a rir-me das coisas mais banais da vida, finalmente entendi que essas é que valem realmente a pena. Mudei de cidade, de casa e quase que cheguei a adquirir uma nova personalidade. Faltou o quase. Não desisti de mim, nem de ti, muito menos de nós. Fizeste parte das minhas mudanças. Hoje mais de três horas de estrada nos separam. Nelas mal cabem os abraços todos que te poderia dar. Hoje cresci e sou o oposto de quem conheceste no passado. Parece-me que contigo aconteceu o mesmo. Beija-me se isto não passar de um mero equívoco. Espera... Guarda esse beijo para outra altura. Hoje faço mais por mim do que por quem me rodeia. Mentira. Essa minha caraterística, por mais péssima que seja em certos casos, jamais se apagará de mim. A distância afasta-nos, mas o comboio traz-me sempre de volta a ti.