segunda-feira, 30 de novembro de 2015

Saudade é o ar que vou sugando e aceitando.

Esta madrugada decidi escrever-te. Não me perguntes como nem porquê. Peço-te apenas que leias e que sintas cada palavra como se fosse mais uma pequena porção de ar que inalas. Decidi comprar roupa nova, o teu cheiro insistia a todo custo em permanecer naquela que em tempos usei. Recusei-me a chorar todas as vezes em que passava na rádio as palavras tão amargas daquela música que um dia chegou a ser nossa. I won't give up on us, even if the skies get rough. Voltei a rir-me das coisas mais banais da vida, finalmente entendi que essas é que valem realmente a pena. Mudei de cidade, de casa e quase que cheguei a adquirir uma nova personalidade. Faltou o quase. Não desisti de mim, nem de ti, muito menos de nós. Fizeste parte das minhas mudanças. Hoje mais de três horas de estrada nos separam. Nelas mal cabem os abraços todos que te poderia dar. Hoje cresci e sou o oposto de quem conheceste no passado. Parece-me que contigo aconteceu o mesmo. Beija-me se isto não passar de um mero equívoco. Espera... Guarda esse beijo para outra altura. Hoje faço mais por mim do que por quem me rodeia. Mentira. Essa minha caraterística, por mais péssima que seja em certos casos, jamais se apagará de mim. A distância afasta-nos, mas o comboio traz-me sempre de volta a ti. 

terça-feira, 18 de agosto de 2015

Imortalidade do sentimento


Esbarrei-me contigo no outro dia. A minha mãe sempre teve razão. Não posso fugir do meu passado nem de quem fez parte dele e tu, meu caro, foste o pior final desse mesmo. Permite-me que ainda dê uso a esse sentimento que há muito murchou, a amizade. Aliás, a nossa amizade.
Observo-te de surra, apercebo-me que continuas o mesmo indivíduo cabisbaixo de sempre, como quem receia enfrentar os desafios da vida olhando-os de frente. Tens plena noção que nunca tive problemas com isso. Sempre consegui, por vontade própria, levantar-me depois de uma queda e seguir em frente como se nunca tivesse caído nem esfolado os joelhos, apesar de as cicatrizes transparecerem uma realidade completamente diferente. Aprendo tanto a cada tombo. Era uma das coisas que dizias admirar em mim, talvez seja por isso que me quiseste pôr à prova. Soube ser dona de mim e venci-te. Ninguém me consegue derrubar, nem mesmo tu.
Não vale a pena continuares a tentar vencer o jogo depois de ter dado game over vezes sem conta.
Tira as mãos dos bolsos, rapaz. Vive a vida. Anda lá. Deixa-te de merdas. Usaste durante anos a fio a porcaria da mesma máscara, não achas que já está na hora de a trocares?
Torna-te Homem, quanto a isso nenhum ser humano nasce formado.
Conseguiste fazer aquilo que eu jamais teria tido a coragem: apaixonaste-te de novo (ou pela primeira vez). Diz-me como. Na verdade não quero saber nem tão pouco desejar-te as maiores felicidades. Estaria a mentir-te se dissesse que fico eufórica todas as vezes que fazes questão de o relembrar. Detalhas esse novo sentimento com uma certeza de tudo, acho que te esqueceste que o amor não se explica e mal se consegue escrever acerca dele. Ninguém sabe como é, o que é, não vem com manual de instruções para sabermos lidar com ele. Sente-se e ponto final. Em contrapartida, mentiria também se te contasse que moveria montanhas para te voltar a ter nos meus braços.
Aprendi a viver por e para mim.
Desde já agradeço-te por me teres mostrado o lado podre daquilo que és. Para te ser sincera tenho imensos obrigadas a enunciar. O primeiro é por me teres deixado ir. Desde esse dia que não parei de pensar em ti, no quanto acreditei nas tuas palavras, naquilo que nos unia. Tomaste a iniciativa que nunca eu teria tido: puseste fim a todas estas mentiras. O segundo é pelos momentos de felicidade que só eu tive e senti, uma vez que esse sentimento nunca em ti consegui despertar.
Todos os outros obrigadas são por me teres dado a oportunidade de me amar ainda mais, ao que me rodeia e àquilo que me tornei.
Para terminar: não guardo rancor, só não esqueço nada. Apercebi-me que estavas certo quando me dizias "Tu até me podes desculpar, mas sei que não esqueces", ao que parece desta vez não houve desculpa algum que me fizesse voltar a ver-te como nos dias em que eras o meu depósito de sorrisos, mas não esqueci.
Sei que te amei à minha maneira, em demasia até, tornando impossível não te odiar.
Ela poderá amar-te onde, quando e como tu quiseres. Já me substituiu, só no rótulo, como sendo a outra. E acredita que isso não é bonito de se ver nem ouvir.
Amar com o corpo não serve de nada quando não se ama com o coração. Nunca te esqueças disso.

PS: Deste-me vontade de sair por aí e encontrar-me. O amor de outro alguém chegará, até lá serei feliz da melhor maneira que conseguir. Farei por isso. Tentarei todos os dias encontrar um novo significado digno da palavra felicidade. Obrigada pela lição.

domingo, 12 de julho de 2015

Prometo não falhar.

"Acordei no meio da imensidão daquela praia. Sentei-me. Olhei para tudo o que era sítio e não avistei nenhuma alma tão perdida quanto a minha. O ecoar dos meus pensamentos em cada canto do meu ser insistiam em transparecer. Lágrimas percorriam o meu rosto, sentia-me aliviado por deixá-las cair depois de tanto as ter segurado. Enchi os pulmões com uma enorme porção de ar e, em segundo e meio, expulsei-o de uma só vez. Perdi-me nas ruelas enquanto observava atentamente cada indivíduo que por elas também passava. Todos eles apresentavam caraterísticas diferentes. Uns quase que rasgavam as bochechas de tanto sorrirem, outros mantiveram-se cabisbaixos do princípio ao fim da minha observação. É engraçado como hoje em dia muitas pessoas limitam-se ao que as rodeia, fecham-se em sete copas e não se abrem a ninguém. A culpa disso é minha, tua, nossa. Tudo o que acontece baseia-se em nós. Deparei-me com casais jovens e idosos. O meu triste coração despedaçado encheu-se de orgulho. Não sou invejoso nem tão pouco rancoroso. A alegria dos outros é também minha. Ainda não tomei a iniciativa de virar as costas ao que não volta. O meu cérebro ainda está a processar toda a informação que captou até chegar aqui. Sinto uma paz de espírito desproporcional cada vez que te observo, ó Mar! Quero voltar a ser quem ainda não fui. Quero voltar a perceber o que ainda não percebi. Quero recomeçar uma vida que ainda não comecei. Quero voltar a ser feliz como nunca antes fui. Quero voltar a amar o que e quem ainda não amei. Quero voltar ao zero sem apagar nada da minha memória. Quero conseguir levantar-me daqui, dobrar a toalha, fechar o guarda-sol, olhar uma última vez o mar, sentir o vento despedir-se de mim como quem me abraça sem sequer me tocar, virar as costas e dizer adeus a quem fui, ao que senti, a quem perdoei e não merecia, a quem amei e não valorizou, a quem perdi sem nunca ter tido. Quero deixar tudo para trás e ser um homem novo. Sou um sortudo, sabes? Tenho a sensação que a vida me deu mais uma oportunidade e eu pretendo agarrá-la com as duas mãos para me certificar que ela não me escapa. Voltarei quando souber tomar conta de mim. Prometo não falhar com a minha palavra. Até lá, levo esta maresia comigo para mais tarde recordar. Sentir-te-ei mais próximo de mim. Com tantos furacões dentro de mim, tu, mar calmo, não me aguentas."

sábado, 23 de maio de 2015

Sossega-me.

"Tomás, acorda, por favor. A minha rotina gira à tua volta. Os pais discutem, acordo-te. Tenho fome, vens comigo à cozinha. Choro e estás sempre lá para me abraçar. Preciso de ti indepentemente da situação em que me encontre. Esta noite não consigo adormecer de todo. Ouvi a mãe dizer que está farta de fingir que está tudo bem quando na realidade não está. Achas que a culpa é minha? O pai sai cedo de manhã e quando volta nunca tem tempo para brincar comigo, ele diz que precisa de recarregar energias para o dia seguinte, mas acaba sempre por trancar-se no escritório durante horas. Então e eu, Tomás? Os pais dizem que tu não existes e que eu sou tolo por criar pessoas na minha cabeça... É mentira! Diz-me que é mentira! Talvez só digam isso porque não te conhecem, um dia irei provar o contrário. Tu és o único que estás sempre presente. O que achas do céu esta noite? Não se vê nenhuma estrela da janela do meu quarto. Será um sinal? Mas de quê? Não sei bem. Continuo a ouvir o pai a gritar com a mãe. Tenho medo. Eles vão deixar-me? De certeza que sim... A vida deles antes de eu aparecer era muito melhor. No outro dia perguntei à mãe se ela e o pai iam separar-se como aconteceu com os pais da Catarina... "As pessoas deixam de gostar umas das outras", disse-me ela. Ao fim ao cabo não respondeu à minha pergunta, mas sabes? O que ela disse não é verdade. Podemos pensar ter deixado de gostar da pessoa e, depois de um tempo, apercebomo-nos que não conseguimos viver sem ela ao nosso lado. Lembras-te do dia em que eu quis deitar fora o robô que o pai me deu nos anos? Eu achava que já não gostava dele por ele ter ficado deformado depois de ter caído da cama, só que não o fiz porque podia brincar com ele à mesma e assim o pai não ficaria triste. Porque é que os pais não fazem o mesmo? Porque é que eles não percebem que não podem ter deixado de gostar um do outro? Eles costumavam ser tão felizes... O que é que mudou? Talvez por eu ter aparecido... Tomás, eu não quero que os pais me deixem. Eu não quero ter de passar pelo que a Catarina passa. Ela diz que às vezes prefere ficar sozinha porque os pais discutem os dias em que cada um fica com ela. Estou cansado. Acho que vou adormecer. Acorda-me quando os pais pararem de discutir. Tomás, acorda-me quando tudo acabar."

quinta-feira, 21 de maio de 2015

Perco-me em ti.

"Perco-me no teu olhar cada vez que te encontro. É mais ou menos assim que todos os dias me declaro a ti. Toco-te e sinto cada átomo meu a implorar por cada átomo teu. Não te peço muito mais do que isso. Talvez até chegue a pedir, mas deixo isso para mais tarde, quando o silêncio da noite entrar pelo quarto e conseguirmos ouvir o bater dos nossos corações em sintonia. Se achas que te menti no outro dia que, sem mesmo me ouvir falar, te disse que te queria para sempre, desengana-te. Nunca esperei por nada de ninguém. Sempre fui dono de mim mesmo. O meu corpo, por mais morto que estivesse, conseguia ainda dar passos em busca de "carne fresca", não me interpretes mal, mas quero que me conheças. Aliás, quero que conheças a pessoa que em tempos fui. Hoje não sou mais esse monstro. Sou único e exclusivamente teu, sabes disso. Só pensava em aproveitar uma noite com cada uma delas. Arrependo-me tanto de tudo o que fiz e pelo que passaram por minha tão grande culpa. Não precisei de muito para conquistá-las, dei uso às minhas técnicas de engate, aquelas que contigo nunca resultaram, e já as tinha a limparem o chão de minha casa. Tomaram-me por garantido mas à primeira oportunidade que tive consegui escapar-lhes por entre os dedos. Perdi-me nos bares e discotecas onde procurava pela próxima a cair nos meus braços. Nunca cheguei a apresentar nenhuma namorada minha aos meus pais, sempre acharam que eu ia ser mais um a cair podre de bêbado pelos cantos da cidade. Consegui superar as tristes expetativas que todos tinham em relação a mim. Foste a primeira. Acredita que dei um grande passo na minha vida a partir do dia em que passaste a fazer parte dela. Encontrei-te e perdi-me. Parece confuso? Acredita que não é. Perdi-me no teu sorriso, no teu olhar, na maneira como te concentras em algo que adoras, na tua vontade de conquistar o mundo quando não te apercebes que não precisas de te esforçares para tal... Nunca me senti tão feliz por estar num labirinto sem saída prevista, por não me situar no tempo nem no espaço, por ter as pernas bambas cada vez que te beijo e te sinto mais próxima de mim. Fizeste-me renascer interiormente. Alegras os meus dias e orgulho-me de ti. Modificaste-me. Conquistaste-me. Apoderaste-te de mim. Quero ser teu. Agora e sempre, mesmo que seja só por segundos, serão os melhores da minha vida."

segunda-feira, 18 de maio de 2015

Desamor.

"Os nossos olhares cruzaram-se no meio da multidão. Aproximámo-nos, observámo-nos, beijámo-nos e o resto nem às paredes ouso confessar. Adorava que tivesse sido tão repentino o quanto imaginei, mas na verdade não foi. Ficámo-nos pela distância de olhares trocados durante, pelo que me pareceu, milésimos de segundos. Poderia ter ficado a soirée inteira a observá-la do outro lado da sala se o meu pai não me tivesse pedido ajuda nos preparativos da celebração da missa dominical. Não cheguei a saber o nome dela nem tão pouco a ouvir o som da sua voz. Esperançoso por uma próxima vez em que o destino juntasse muito mais do que uma visão silenciosa e longínqua de dois corpos que anseavam por se encontrar, sonhei noites seguidas com o nosso reencontro. Falava já como se tivesse a certeza de que ela reparara em mim, uma alma perdida que andava a vaguear por entre centenas de rostos. Não desisti, prometo que não o fiz. Quando menos esperava, ela caiu-me aos pés. Teoricamente tropecei no caminho dela, veio parar-me aos braços, e senti-lhe o aroma tão doce quanto o azul reluzente do seu olhar que aclarava em dois tempos a sua face. Perguntei-lhe o nome, "Julieta", respondeu-me ela. Julieta... O nome do meu futuro grande amor. Aliás, já a sentia minha desde o primeiro segundo em que a olhara. Quando o amor nos toca, sentimo-nos desarmados, sem chão e o vento faz questão de levar a pouca inteligência que nos resta. Falo-vos por experiência própria. Depois de sentir o calor dela junto ao meu peito, o meu pensamento andou a deambular entre ficar ali ou simplesmente ficar ali. Duas opções com uma única saída: deixá-la ir embora. Sim, cheguei à conclusão que ela não me pertencia, nunca chegou a pertencer-me. Não era propriedade minha, nem tão pouco viria a ser. Ela era muito mais do que eu, possuía mais do que devia, via mais do que podia. Eu não passava de mais um que a amava em segredo, que imaginava mil e uma maneiras de acordá-la todas as manhãs, que não se importava de dar a própria vida para poder ver o sorriso dela ao deitar, que percorria cidades, desertos, mares, continentes, tudo isto por um abraço aconchegante dela. Amei-a loucamente sem mesmo dar conta de todos os objetivos pelos quais deixei de lutar. Amei-a loucamente quando só fui um pretexto para ela amar outro. Amei-a loucamente quando acreditei que algum dia ia chegar a ter algum espaço no coração dela, por mais pequeno que fosse. Amei-a loucamente com tudo o que tinha para amar. Amei-a loucamente porque acreditei que ela me amasse de volta. Amei-a loucamente todos os dias da minha vida. Deixei-me de lado para poder amá-la loucamente. Esqueci-me de mim por ela. Esqueci-me de viver por ela. Não a julgo nem tão pouco a culpo por não ter chegado a amar-me. Esteja ela onde estiver, espero que se tenha apercebido, através daquele primeiro olhar, o quanto a amei. Nunca cheguei a dizer-lhe, mas ela foi tudo o que nunca pude ter e que sempre sonhei alcançar. Mesmo se o tivesse dito nada teria feito diferença. O sorriso dela era a minha única alegria. Eu amei-a loucamente. Mas hoje não a amo mais."

domingo, 3 de maio de 2015

Unidas pelo coração


Querida mamã,
Escrevo-te por um motivo em especial. Adivinha que dia é hoje: o teu. Para além de todos os outros dias em que estou contigo, hoje, sinto uma enorme vontade de te dizer tudo um pouco do que me transmites.
Convido-te a viajares comigo, através da memória, ao ano de 1995. De certeza que tens imensas recordações da tua passagem de ano para aquele que viria a ser o melhor de todos os que até aí viveras. Conheceste o amor da tua vida, antes de me conheceres a mim, claro (modéstia à parte). Poucos dias se passaram e, sem hesitares, disseste o tão esperado "sim" e até os anjos conspiraram a favor da vossa união. Precisamente dois anos e oito meses depois nasceu a vossa menina (eu). Sei que fui desejada e que me amaste desde o primeiro segundo em que te disseram que ias ser mãe. 
Como foi teres um coração a bater na tua barriga durante nove meses e duas semanas? Qual foi a sensação de dares à luz outra vida? Como é ser mãe? Como conseguiste abdicar de muita coisa por mim e, anos depois, pela minha irmã? Tantas perguntas e só tu tens a resposta a todas elas, ou talvez não. Quando eu fôr mãe, o grande sonho de qualquer rapariga, quero ser como tu, mas nunca serei melhor do que tu és.
Agradeço-te do fundo do coração por tudo o que já fizeste por mim. Pelas horas de sono que perdeste para eu parar de chorar, pelas olheiras com que ficaste depois de uma noite mal dormida por eu estar doente, pelo que não comeste porque eu queria, por teres estado presente em todas as minhas quedas. Um grande obrigada por todos os motivos que me dás, diariamente, para eu sorrir e ser feliz. 
Mãe, não tenho palavras para te descrever. Talvez sejas a descrição impossível da perfeição, mas a verdade é que existes. Costuma-se dizer que Deus está no céu e tu na Terra, adequa-se ao teu perfil. Quando pensares que falhaste em alguma coisa, deixa simplesmente de pensar. Sempre foste minha conselheira, mãe e melhor amiga. 
Digo-te, com todas as letras, que me arrependo muitas vezes das palavras inoportunas e das atitudes inadequadas que tenho para contigo, juro que não faço por mal. Para te recompensar sempre tentei, com vergonha de dizer um simples desculpa, amar-te da melhor maneira que posso, acarinhar-te e oferecer-te o melhor que posso: a minha presença. Obrigada por nunca teres desistido de mim, de me ajudares a entender a diferença entre o certo e o errado e, principalmente, por nunca teres sido tu a fazer as coisas por mim. Obrigada por me concederes o privilégio de crescer enquanto ser humano. 
Prometo deixar-te orgulhosa e tornar-me na mulher com M grande que tu és. Guerreira, humilde e implacável, tens todas as qualidades que existem. Agradeço todos os dias a Deus pelo maior presente que já me deu até hoje: chamar-te de mãe!
Amo-te com todas as minhas forças.
A tua filha,
Sofia


"Uma mãe é de aço. O aço é uma liga de ferro e carbono. O ferro é o símbolo da força e o carbono é o elemento presente em todos os organismos vivos. Uma mãe constitui a ligação entre a fragilidade e a força do indivíduo. Não há algo mais vulnerável e mais sólido do que a maternidade." Achei bastante interessante este pensamento. Neste dia tão especial que é o dia da mãe, para além de não haver altura nem estação do ano específicas para valorizarmos quem temos ao nosso lado, não é demais relembrar à nossa mãe o quanto gostamos dela. Não se esqueçam que ninguém é eterno, amem, digam que amam e demonstrem o vosso amor antes que seja tarde. Mãe só rima com mãe, isto porque não existem duas nem três iguais, é única e exclusivamente nossa. Feliz dia da mãe a todas as mães do mundo!

domingo, 5 de abril de 2015

Carta para o meu antigo eu.

Querida Sofia do passado,
Passaram-se uns cinco ou seis anos desde a última vez que nos cruzámos e desde aí que não tenho parado de pensar em escrever-te. 
Gostaria de começar por dizer-te que não foi fácil ganhar coragem em remexer nas coisas que deixaste comigo, ou talvez em mim, parece tão recente. Com o tempo acabarás por aceitar tudo o que te acontece e entender que estava escrito assim.
É constante a angústia que sinto cada vez que me lembro das nossas longas conversas a meio da noite, quando o sono era escasso e o choro vinha sempre à tona. Quando o silêncio da noite era perturbador e o medo de estarmos sozinhas pairava sobre o ar. Acredita que esses tempos acabaram, não precisas de te preocupar mais com isso. Lembras-te de eu ter dito que tinha a certeza que as coisas iriam melhorar? Aqui tens a prova disso. 
Não te entusiasmes tanto com a vontade de conquistar o mundo, preocupa-te antes com quem está por perto e, principalmente, contigo. Eu sei que nunca quiseste falar do que (e de quem) mais te magoou, acredita que devias tê-lo feito desde o início. Digo-te isto porque sei que agora estás muito melhor, podes ainda não ter esquecido mas estás bem e só isso importa. Aproveita cada momento como se fosse o último. É mesmo essa a realidade, não vives a mesma situação duas vezes. Não procures agradar a toda a gente, ainda hoje existem pessoas que não te suportam e, no entanto, estás feliz. 
Estás de parabéns! Não, não fazes anos. Caíste tantas vezes, não esfolaste só os joelhos, pensaste em desitir mas acabaste sempre por reerguer-te. Estou tão orgulhosa de ti. Fizeste novas descobertas, criaste novos laços, conheceste lugares que jamais pensaste vir a conhecer, apaixonaste-te e, mesmo quando pensaste que já não restava nenhuma saída, soubeste dar a volta por cima. 
Tenho a certeza que te vais rir quando te disser que ainda vais ter muito para viver. Ainda vais ter muitos corações para quebrar (talvez por seres demasiado tu, modera-te, sê mais doce). Entenderás que a vida não é como queres que seja. Irás perder algumas pessoas pelo caminho, mais tarde aperceber-te-ás que só faziam peso na tua vida, que fruta podre cai sozinha, e que te impediam de avançar. És forte. Lembra-te disso. Tu consegues, basta quereres.
Nunca me irei arrepender do nosso passado, nem tão pouco querer mudá-lo. Foi uma fase marcante e importante na construção de tudo o que hoje faz parte das nossas vidas. Continuas aqui, bem presente e, ao mesmo tempo, tão distante. Obrigada por me teres dado a oportunidade de crescer. Só te peço para rires com maior frequência. Concede mais importância aos pormenores, àqueles que te parecem tão insignificantes, acredita que são os que fazem toda a diferença. Sê tu própria. A vida é muito mais do que esperas. Ora amarga, ora doce. Cada um faz dela o que quer e nós, querida eu, fizemos, até hoje, um bom trabalho. 
        
Um beijo gigante vindo do futuro,
Sofia