domingo, 5 de abril de 2015

Carta para o meu antigo eu.

Querida Sofia do passado,
Passaram-se uns cinco ou seis anos desde a última vez que nos cruzámos e desde aí que não tenho parado de pensar em escrever-te. 
Gostaria de começar por dizer-te que não foi fácil ganhar coragem em remexer nas coisas que deixaste comigo, ou talvez em mim, parece tão recente. Com o tempo acabarás por aceitar tudo o que te acontece e entender que estava escrito assim.
É constante a angústia que sinto cada vez que me lembro das nossas longas conversas a meio da noite, quando o sono era escasso e o choro vinha sempre à tona. Quando o silêncio da noite era perturbador e o medo de estarmos sozinhas pairava sobre o ar. Acredita que esses tempos acabaram, não precisas de te preocupar mais com isso. Lembras-te de eu ter dito que tinha a certeza que as coisas iriam melhorar? Aqui tens a prova disso. 
Não te entusiasmes tanto com a vontade de conquistar o mundo, preocupa-te antes com quem está por perto e, principalmente, contigo. Eu sei que nunca quiseste falar do que (e de quem) mais te magoou, acredita que devias tê-lo feito desde o início. Digo-te isto porque sei que agora estás muito melhor, podes ainda não ter esquecido mas estás bem e só isso importa. Aproveita cada momento como se fosse o último. É mesmo essa a realidade, não vives a mesma situação duas vezes. Não procures agradar a toda a gente, ainda hoje existem pessoas que não te suportam e, no entanto, estás feliz. 
Estás de parabéns! Não, não fazes anos. Caíste tantas vezes, não esfolaste só os joelhos, pensaste em desitir mas acabaste sempre por reerguer-te. Estou tão orgulhosa de ti. Fizeste novas descobertas, criaste novos laços, conheceste lugares que jamais pensaste vir a conhecer, apaixonaste-te e, mesmo quando pensaste que já não restava nenhuma saída, soubeste dar a volta por cima. 
Tenho a certeza que te vais rir quando te disser que ainda vais ter muito para viver. Ainda vais ter muitos corações para quebrar (talvez por seres demasiado tu, modera-te, sê mais doce). Entenderás que a vida não é como queres que seja. Irás perder algumas pessoas pelo caminho, mais tarde aperceber-te-ás que só faziam peso na tua vida, que fruta podre cai sozinha, e que te impediam de avançar. És forte. Lembra-te disso. Tu consegues, basta quereres.
Nunca me irei arrepender do nosso passado, nem tão pouco querer mudá-lo. Foi uma fase marcante e importante na construção de tudo o que hoje faz parte das nossas vidas. Continuas aqui, bem presente e, ao mesmo tempo, tão distante. Obrigada por me teres dado a oportunidade de crescer. Só te peço para rires com maior frequência. Concede mais importância aos pormenores, àqueles que te parecem tão insignificantes, acredita que são os que fazem toda a diferença. Sê tu própria. A vida é muito mais do que esperas. Ora amarga, ora doce. Cada um faz dela o que quer e nós, querida eu, fizemos, até hoje, um bom trabalho. 
        
Um beijo gigante vindo do futuro,
Sofia